Desco pela rua da noite sem rumo definido, no escuro. Porém não me sinto perdido, pois sei onde estou, conheço a cidade. Mas isso incomoda-me terrivelmente. Como se denunciasse a minha deambulação, como se tornasse flagrante que me infiltrei pela noite dentro. Como se a lua tingisse de um branco pálido e aberrantemente incolor o coração descontrolado. Meto pelo primeira porta do primeiro bar que me aparece à frente. Tento afogar o coração e sufocá-lo com cerveja e nicotina. Ele apenas se engasga e continua a bater fortemente. Dolorosamente. Respiro a medo. Cada golfada de ar me alimenta a mágoa de estar aqui. Fechado num bar a dissecar o desconforto da existência nocturna e citadina. Anseio pelo ar da serra e pelo vento pungente que parece que sopra a consciência e o inconseguimento para longe.
Preciso de férias de mim.